Viveka abre espaço para um novo debate sobre cultura indígena

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Na tarde do último sábado (18/02), na sala Anita do Espaço Viveka, várias perguntas deram início a um bate-papo de ampla diversidade, com o autor e pesquisador Arthur Iraçu Amaral Fuscaldo, escritor do Ro’wapari’nho’re: Sonhar e Pegar Cantos no Xamanismo A’uwê – Xavante música e suas concepções cosmológicas.

Durante o encontro, Arthur contou algumas histórias por ele vividas entre esses povos indígenas na Reserva Rio das Mortes, estado do Mato Grosso. Explicou, entre outras coisas, a importância que os sonhos têm para eles e como estão entrelaçados e integrados os conhecimentos que constroem (como sonhos, músicas, educação).  Trocando informações com essa comunidade durante mais de dez anos, ele explicou que teve dois meses intensos de estudos no lugar, o que permitiu intensificar sua “investigação a respeito das práticas, prioritariamente masculinas, de pegar cantos nos sonhos”, disse. “Além disso”, disse o pesquisador, “a convivência com as pessoas da aldeia também me estimulou a estar mais atento aos meus próprios sonhos”.

Segundo Arthur, há países como França, Alemanha e Estados Unidos, que costumam oferecer amplo incentivo à pesquisa sobre o tema, algo que o Brasil, talvez por falta de recursos, desconhece. “Por mais que a gente tenha uma crítica de como os índios foram colocados pela nossa história ocidental, acabamos por cometer equívocos. Falando com um xavante, ele diz que os homens brancos enterraram a cultura de seus povos como sendo coisa do passado, desde a sua origem primitiva”, disse.

Dentre tantos assuntos debatidos sobre o povo indígena A’uwê-Xavante, Arthur respondeu uma pergunta feita por uma das participantes: “como é passar e manter essa cultura milenar para os índios mais jovens?”. Ele explicou que os conflitos de gerações que nós brancos temos, os indígenas também têm. Contou que os meninos indígenas desejam as mesmas coisas que os jovens brancos, justamente, pelo fato de terem também contato com a globalização, principalmente a tecnologia, contato que os brancos acreditam que eles não têm. Eles também possuem suas próprias tecnologias, e todo seu repertório de conhecimento que, segundo Arthur, é renovável e anda lado a lado com seu conhecimento original indígena. Os índios sonham, e “é por meio dos sonhos que constroem seu conhecimento. Deles originam-se os cantos, os nomes das crianças e esses sonhos interferem até na caça e troca de decisões do grupo. Os sonhos deles permitem visitar diferentes lugares e ouvir os cantos de alguns animais”, disse o pesquisador.

Quanto às mulheres xavantes, explicou ele, a elas cabe, por exemplo, o conhecimento de ervas, o controle da natalidade e da agricultura, sendo elas a maior autoridade dentro das casas. “Se de um lado”, disse Arthur, “considera-se que os rituais de passagem dos jovens meninos envolvem-se em uma série de desafios, que possam propiciar transformações levadas para a vida adulta, por outro lado considera-se que as mudanças ocorridas no corpo das mulheres são visíveis, explícitas, ligadas às alterações causadas pelo início do ciclo menstrual”.

No final do evento, Arthur mostrou algumas fotografias e falou sobre a sua dissertação de mestrado que deu origem ao livro.

A professora e terapeuta corporal Debora Ribeiro revelou seu interesse pelo tema da palestra, especialmente a cosmologia desses povos. Ela destacou um dos pontos curiosos sobre o debate: “Achei legal essa tecnologia que os xavantes têm sobre os sonhos. Assim como a gente usa a internet, eles têm outro acesso tecnológico, como a comunicação com a natureza, o canto da nuvem, por exemplo. Também devemos aprender com eles a nossa forma de estar no mundo”, disse Debora ao parabenizar o Espaço Viveka pela promoção de muitos eventos culturais.

Quem já conhecia e havia participado de outras palestras com o pesquisador Arthur Fuscaldo foi o músico Felipe Siles de Castro, que disse estar bastante familiarizado com o tema. “É sempre interessante mergulhar de novo no assunto, porque agregamos mais conhecimento. Um exercício que nos permite descolonizar o nosso pensamento, pois temos uma visão de mundo muito formatada”, disse. “Além disso”, completou ele, “a tecnologia dos sonhos dos xavantes é extremamente interessante, pois apesar de ser abstrata para nós, é avançada tanto quanto a nossa tecnologia”.

Quem estiver interessado em saber mais sobre o tema pode adquirir o livro do escritor e pesquisador Arthur Fuscaldo. O exemplar está disponível no Espaço Viveka pelo valor de R$ 40,00.

E nosso próximo sábado tem marchinha e alegria na praça…

“FOLIA NA PRAÇA” é o tema de outra atividade promovida pelo Espaço Viveka, a partir das 15h, na praça que fica em frente ao Espaço. Valorizando a imensa diversidade das nossas tradicionais marchinhas de carnaval, muitas delas envolvidas em debates polêmicos (como “politicamente corretas”, ou não?) o casal de artistas Regina e Fabricio Fruet, do Grupo Rebrincando, fará um carnaval animado e lúdico, aberto para todas as idades, no dia 25/02.

No dia 4 de março, outro evento dará início às atividades do mês, com a apresentação de “LEITURAS DA OBRA DE ARTE”. Um encontro teórico-prático, que contará com a mediação das arte-educadoras Léia M. Freire e Zilpa Magalhães.

Já no dia 11/03, teremos “MISTÉRIOS DO JAPÃO: uma viagem através de contos tradicionais, números, proporção áurea e música”. Trata-se de um estudo inédito apresentado de forma surpreendente por Tiemi Yamashita e Edson Tani.

Em abril, está agendada a vigem: VIVEKA NO RIO DE JANEIRO! Como parte da série Percepções Urbanas, o professor Luís Octávio Rocha nos levará a perceber lugares da Cidade Maravilhosa com novo olhar, valorizando Arte, Arquitetura e Paisagismo.

Quer saber mais sobre como participar dos eventos? Informe-se de segunda a sexta-feira, das 14h às 21h, na secretaria do Espaço Viveka, com a Jacqueline.

Endereço: Rua Professora Sebastiana Silva Minhoto, 375 – próxima ao metrô Carrão, em São Paulo. Outras informações podem ser obtidas pelos telefones: (11) 2295-7961 ou (11) 2295-1285.

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Passeio Percepções Urbanas promovido pelo Espaço Viveka surpreende participantes

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Antes de resumirmos o que rolou no passeio Percepções Urbanas, a equipe do Espaço Viveka faz uma observação quanto aos novos eventos a serem realizados, ainda neste mês de fevereiro.

Um deles acontece no próximo sábado (18/02), a partir das 16h na sala Anita da Viveka. Será a Tarde de Autógrafos com o autor e pesquisador Arthur Iraçu Amaral Fuscaldo, escritor do Ro’wapari’nho’re: Sonhar e Pegar Cantos no Xamanismo A’iwe – Xavante, música e suas concepções cosmológicas.

A participação é gratuita para professores, estudantes e público em geral. Quem estiver interessado em adquirir o livro, o exemplar estará disponível no Espaço Viveka pelo valor de R$ 40,00.

Outra atividade que promete muita animação fica por conta do casal de artistas Regina e Fabricio Fruet, que farão um carnaval lúdico, aberto para todas as idades, nas vésperas do feriado.  O evento acontece na praça que fica em frente ao Espaço Viveka, no dia 25 de fevereiro, às 15h.

Quer saber mais sobre como participar dos eventos, informe-se de segunda a sexta-feira, das 14h às 21h, na secretaria do Espaço Viveka, com a Jacqueline.

Endereço: Rua Professora Sebastiana Silva Minhoto, 375 – próxima ao metrô Carrão, em São Paulo. Outras informações podem ser obtidas pelos telefones: (11) 2295-7961 ou (11) 2295-1285.

 

Agora, sobre o nosso passeio…

Do metrô Vergueiro até o metrô Santa Cruz, o professor Luís Octávio Rocha, juntamente com a equipe do Espaço Viveka, ao lado de um grupo de 40 pessoas, realizou no último sábado (11/02) um passeio pelo bairro do Paraíso, em São Paulo. Na série Percepções Urbanas são desenvolvidos passeios turísticos em finais de semana previamente agendados, com o intuito de levar as pessoas a construírem outro olhar sobre a nossa cidade e a se apropriarem dessas histórias. “São Paulo de todas as formas” foi o título dado a este último encontro da série, que inicialmente passou pelo Centro Cultural São Paulo, seguindo pela Catedral Metropolitana Ortodoxa, Parque Modernista, com encerramento no Museu Lasar Segall – criado com o objetivo de conservar e divulgar a obra do pintor russo, naturalizado brasileiro (1891-1957).

Era por volta das 9h30, o termômetro já ultrapassava os 24 graus e aos poucos os participantes já ocupavam a frente do Centro Cultural São Paulo – na espera do professor Luís Octávio, que conduziu nossos olhares e pensamentos, proporcionando descobertas culturais até então desconhecidas para muitos.

O professor lembrou que “o pertencimento aos espaços da cidade são fundamentais na constituição do ser humano. Ao entrelaçar interiores, entorno e contextos, nós conseguimos perceber esses espaços como conceitos arquitetônicos, que têm uma intenção, um desejo transformado em desenho, que se enche de vida quando utilizado e começa então a conversar conosco”, destaca.

E foi assim que durante todo o translado o professor Luís Octávio enfatizou a importância de cada local. Desde os contextos histórico-culturais às transformações físicas ocorridas ao longo de décadas, ele mostrou a contribuição de cada arquiteto na construção cultural desses locais, que apresentam formas específicas.

Uma das participantes, a jovem boliviana Silvana Pinto Mendoza, de 23 anos, disse que caiu de paraquedas no passeio. Ao saber da atividade pelo facebook do Espaço Viveka, não pensou duas vezes e veio de Guarulhos para participar. “Adorei. Gosto de arte, principalmente de fotografia. Dei de cara com um olhar totalmente diferente do que tinha sobre alguns pontos da cidade. Fiquei surpresa ao conhecer o Centro Cultural São Paulo, no metrô Vergueiro, ali o professor Luís me fez pensar que ao sair do metrô já damos de cara com este Centro Cultural. Desse modo, ele nos fez observar toda a arquitetura construída em concreto, com árvores frutíferas, uma horta feita pelos vizinhos, com a construção praticamente feita toda em vidro para que possamos ver as atividades que acontecem”, afirma a jovem Silvana.

Na mesma linha de pensamento, a atriz, bailarina e professora de teatro Monica Nassif disse também que era a primeira vez que estava participando da atividade promovida pelo Espaço Viveka. Não poupou elogios ao professor Luís Octávio, que fez com que ela tivesse uma visão encantadora dos locais visitados. “Geralmente no dia a dia passamos por estes lugares sem observar detalhes tão importantes, mas com a ajuda e a orientação dele, juntamente com o grupo, conseguimos uma troca riquíssima”, conta Monica, que ficou impressionada, principalmente, com a construção arquitetônica da Casa Modernista (1896-1972), considerada o marco da arquitetura modernista brasileira, residência do casal Klabin e do arquiteto Gregori Warchavchik.

Quem também marcou presença foi o pequeno João Pedro, que estava na companhia de sua mãe no café do Museu Lasar Segall. Questionado sobre o que mais gostou do nosso passeio, ele foi direto: “Achei bem legal e divertido, gostei de ver a obra Linha do Tempo, que estava exposta no Centro Cultural São Paulo. Quando acontecer outro passeio como esse, eu quero participar de novo”, disse o garoto, que tem apenas nove anos de idade.

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