Encerramento das atividades do mês com arte Japonesa no Espaço Viveka

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Imagens: Carlos Ragazzo.

Sumi-ê (pintura tradicional japonesa sobre papel, que enfatiza os gestos espontâneos, a improvisação e uma visão contemplativa de mundo) – será a última atividade realizada neste mês de abril no Espaço Viveka. O encontro está agendado para o próximo sábado (30), no horário das 10h às 13h. Neste evento de caráter contemplativo, o Professor Carlos Ragazzo apresentará a técnica do Sumi-ê e, entre pinturas realizadas, abrirá espaço para conversar sobre a visão oriental de mundo.

 

Em bate papo com a equipe do Espaço Viveka, o professor revela um pouco sobre a arte oriental ao destacar que, a princípio, a pintura Sumiê nasceu por volta de 1200dC, no Japão, trazida da China pelos monges que lá iam para estudar o Budismo e o Taoísmo. Em solo japonês, passou por um processo de minimalização das cores e pinceladas e, consequente, a valorização do gesto expressivo e do dizer-o-mundo com “poucas palavras”.

 

Carlos explica que, devido à influência do Budismo Zen, surgiu um termo que revela um pouco da compreensão que a cultura oriental tem sobre a importância da fruição do universo natural. Este termo é conhecido como “Vitalidade Rítmica”. Para os artistas orientais, segundo Carlos, “a vitalidade rítmica é o conjunto das particularidades de cada entidade natural, tomada individualmente ou em conjunto. Cada coisa tem um viço singular e um ritmo próprio, um modo característico de se relacionar consigo mesmo e com o mundo que a envolve. Assim, a água flui circundando e preenchendo, tem um frescor característico e um modo particular de ficar imóvel, tal como na plenitude silenciosa  das lagoas e lagos, e é estrondosa quando cai em cachoeiras. Tudo isso e muito mais pode-se dizer da água, caracterizando sua vitalidade rítmica. Da mesma forma pode-se caracterizar o peso da rocha, a efemeridade da flor, a delicadeza da mosca, a velocidade e o som do vento, a amplidão do vale. Também o sorriso das pessoas, sua serenidade, sua energia, seu modo de andar, de falar e de dançar. Formas de estar no mundo”.

 

Ele conta que para o artista oriental, representar o mundo passa, inevitavelmente, pela busca de uma identificação profunda, existencial e ontológica, com cada individualidade considerada e, consequentemente, pelo cultivo insistente e diário de um refinado senso de apreciação. “A partir do gestual obtido na pintura japonesa e da premissa de espontaneidade de fluxo de pinceladas exigida por ela, minhas obras atuais procuram revelar algo neste sentido. No entanto, como se trata de pintura abstrata, a questão se deslocou da apreensão da vitalidade rítmica de uma entidade natural, para a  possibilidade de compreendê-la sem objeto específico, sem qualquer figuração”, diz.

 

O artista conclui, ao lembrar que a obra se inicia por uma troca de informações: a escolha das cores, as proporções entre elas, a maior ou menor diluição, e se desdobra num processo de improvisações gestuais; o pincel ora tocando a tela de modo decidido, ora arrastando-se sobre ela, titubeante; ora respingando a tinta, ora percutindo sobre a tela tal qual em um tambor, num movimento que pretende ser fruição e fluição ao mesmo tempo. E por fim, a obra se encerra quase que por uma imposição dela mesma, de alguma sensação específica: uma certa suavidade, uma intensidade, um leve frescor, alguma delicadeza indeterminada.

 

Ficou interessado (a) em participar do evento e conhecer um pouco mais sobre a arte Oriental?

 

Informe-se sobre as inscrições de segunda a sexta-feira, das 14h às 21h na secretaria do Espaço Viveka, com a Priscila – Rua Professora Sebastiana Silva Minhoto, 375 – próxima ao metrô Carrão. Outras informações podem ser obtidas através do telefone: (11)2295-7961.

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Das cantigas do passado para uma roda chamada “Conversando com Mulheres”.

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Quem não sente saudade das brincadeiras de infância, principalmente, daquelas que giravam em torno das cantigas de roda? Assim como nós brincávamos, hoje sem dúvida boa parte das crianças ainda brinca e se diverte. Embora para alguns esse tempo já tenha passado, e também por causa das atividades, ou “obrigações”, – o tempo que poderia ser dedicado a algo que pudesse trazer algum tipo de satisfação inocente, se tornou escasso. Podemos citar a internet, que nos leva à vaga sensação de divertimento, mas será que conseguimos sentir alguma emoção verdadeira nessa troca? O que temos feito para cultivar os encontros com os amigos, até com pessoas que nunca vimos para um bate papo em meio a uma roda de conversas, onde as pessoas se olham, se veem e ao mesmo tempo trocam experiências de vida?

 

Ao pensar em resgatar esses estímulos, a equipe do Espaço Viveka, criou um grupo chamado “Conversando com Mulheres”. O primeiro encontro já aconteceu no dia 05 de março. O resultado não poderia ter sido outro. Além de promissor, levantou diversas temáticas, ao meio de muitas risadas.

 

Uma das mediadoras do grupo, a psicóloga Ana Maria Ferreira, diz que, pessoalmente, gostou muito do encontro, pois superou o que foi planejado inicialmente e, por isso mesmo, foi tão enriquecedor.  “Fomos apenas com algumas ideias e acabou que o próprio grupo foi tecendo a trama do debate, a partir da troca de interesses, que correspondia a cada uma das participantes”, conta.

 

A psicóloga reconhece que as questões tecnológicas acabaram por ‘subverter’ os chamados encontros do tete a tete. “Uma roda de conversa resgata a prática das relações interpessoais, que facilita nossas vidas no sentido de que a troca de experiências, o dividir com os outros, alivia tensões psíquicas, gera possíveis novas respostas para velhos problemas, conflitos e dilemas”, pontua. Ela ainda acrescenta que o primeiro encontro procurou, em primeira instância, atender um formato mais flexível para, futuramente, pensar em uma palestra, por exemplo.

 

Por ter sido um encontro que gerou trocas positivas de experiências, a equipe do Espaço Viveka já agendou para o dia 16 de abril a segunda roda de conversa. A psicóloga Ana esclarece que o grupo ficou de apresentar temas de interesse com alguma antecedência, como discutir uma temática a partir de um filme, ou alguma notícia, para gerar um debate caloroso.

 

Venha Participar!

 

Informe-se sobre as inscrições desse encontro de segunda a sexta-feira, das 14h às 21h na secretaria do Espaço Viveka – Rua Professora Sebastiana Silva Minhoto, 375 – próxima ao metrô Carrão. Outras informações podem ser obtidas através do telefone: (11)2295-7961.

 

Oficina Divertidamente aborda questões familiares de forma criativa e lúdica

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Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojinho foram algumas das emoções trabalhadas pelas mediadoras: Adriana M. Freire, Cynthia M. Magalhães e Renata M. C. Ribeiro, a partir das cenas do filme Divertida Mente, durante a última oficina realizada no sábado (2), na sala Anita do Espaço Viveka. As cinco emoções básicas foram protagonistas da própria personagem principal do longa-metragem, Riley – uma garotinha de onze anos que precisa administrar esses sentimentos, especialmente após sua mudança para uma nova cidade.

 

A atividade contou com a presença de um público bastante diversificado, que aproveitou a oportunidade para investigar, reconhecer e trabalhar as emoções, assim como observar sua importância na formação da personalidade humana. A proposta da oficina envolveu questões familiares, abarcando particularmente a faixa etária das crianças e dos pré-adolescentes. Na ocasião, os participantes puderam expor seus sentimentos de forma espontânea e divertida, ressaltando o lúdico e a criatividade.

 

A oficina foi dividida em duas dinâmicas. A primeira teve início na formação de um circulo, no qual os participantes andavam pela sala. Na parede havia alguns impressos com cenas do filme, representadas pelas cinco emoções e pelas ilhas de personalidade identificadas através da família, amizade, fantasia, honestidade, esporte, bobeira e diversão.

 

Pais e filhos ficaram diante de diversas emoções representadas, por meio de demonstrações faciais e corporais figuradas em seu dia-a-dia, e da  identificação desses sentimentos no outro.  As mediadoras esclarecem que é normal e necessário estarmos atentos às nossas emoções, que precisamos vivenciá-las, a fim de que ocorram mudanças em nossas vidas, particularmente por meio das alegrias e tristezas. “Muitas vezes a sociedade não reconhece a importância dessas questões para o crescimento individual, principalmente na formação da personalidade do ser. Afinal de contas, a vida também é feita de contrastes com lembranças boas e ruins”, diz Renata.

 

Por último, foi proposto montar e identificar uma ilha, considerada a mais importante por cada participante individualmente. Alguns desenharam, enquanto outros usaram brinquedos e materiais recicláveis para ativar a memoria da personalidade. E assim, cada um teve a oportunidade de falar  sobre a importância de sua própria ilha.

 

O pré-adolescente João Vitor Ronconi Ramos (12 anos) desenhou seus pais, sua casa e as atividades que realiza durante o dia, destacando nelas a sua devida importância, com destaque para a sua família. A maioria do grupo ressaltou em suas ilhas que, de fato, o mais importante é o núcleo familiar. Outros identificaram também a importância dos amigos, do trabalho, da natureza, dos estudos e outras questões vivenciadas no dia-a-dia de cada um. As mediadoras explicam que, na infância, algumas ilhas se modificam (sofrem abalos), para que a vida adulta se transforme em um alicerce seguro. E também que cada um precisa respeitar a ilha do outro. No final da dinâmica cada participante, além de reconhecer suas próprias emoções, as viu representadas no outro.

 

De acordo com o casal Edson Ramos e Katia Cilene Ronconi, a experiência da oficina acrescentou uma profunda reflexão, que tende a gerar mudanças. “Foi interessante ver meu filho falar sobre a visão dele em relação a nós, os pais, e perceber a inocência e a tranquilidade com que ele abordou algumas questões”, comentou Katia. Ela destacou ainda, que “a dinâmica também a fez pensar que no dia-a-dia não olhamos para as nossas emoções, principalmente a tristeza, que é negada, pois a ideia que o mundo nos vende, é que sejamos sempre felizes”.

 

E atividade terminou com o sorteio de três massagens oferecidas pelos profissionais do Espaço do Viveka: Fabrício M. Magalhães (fisioterapeuta), Letícia Larcher Longo (terapeuta corporal) e Neuza Cerqueira (yoga e medicina chinesa). As ganhadoras foram Letícia Gonçalves, Ana Lúcia Gonçalves e Katia Cilene Ronconi.

 

Pintando com Van Gogh

 

Fiquem atentos ao próximo evento do Espaço Viveka, que será realizado no sábado (9) das 9h às 12h, com uma Vivekinha divertida e colorida. Essa é a proposta da arte educadora e mediadora da atividade Zilpa Magalhães, que realizará a oficina intitulada Pintando com Van Gogh. “Vamos brincar com o círculo cromático, reconhecer algumas obras do artista e criar uma pintura usando a paleta de cores dele”, explica, lembrando ainda que a Vivekinha é voltada para crianças a partir de 4 anos de idade, desta vez com a participação dos pais ou responsáveis (pai/mãe e filho/filha).

 

Para participar da atividade basta fazer as inscrições pelo telefone (11) 2295-7961, com a Priscila – de segunda a sexta, das 14h às 21h, ou diretamente na secretaria do Espaço Viveka – Rua Professora Sebastiana Silva Minhoto, 375 – Metrô Carrão.

 

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Viveka realiza passeio pelo centro histórico de São Paulo

foto-Milton-9 Fotos: Milton Soares de Morais Júnior

Famosas curvas da arquitetura, status de cartão-postal da cidade, projetado por um gênio brasileiro… foi o ponto de partida de um grupo de pessoas, que, no final do mês de fevereiro, participou do passeio Percepções Urbanas, organizado pela equipe do Espaço Viveka.

A atividade esteve sob a orientação do professor Luís Octávio Rocha, que contou com a companhia das arte/educadoras e organizadoras da atividade: Zilpa Magalhães e Léia M. Freire, com a proposta de visitar algumas galerias do Centro Novo da cidade.

 

Durante todo o percurso Luís Octávio pontuou as interligações entre arte e arquitetura, revelou os conceitos estruturais das galerias e das ornamentações modernistas, perfeitamente harmonizadas com as praças e jardins, que complementam a paisagem. Além disso, o professor desvendou o contexto histórico-cultural envolvido nessas expressões artísticas, que levou às transformações ocorridas nesses locais ao longo de décadas.

 

O ponto de encontro foi no Edifício Copan, no Café Floresta. Ali o professor Luís chamou a atenção, após orientar o grupo a dar alguns passos atrás e observar os detalhes das famosas curvas do mestre carioca que também projetou Brasília, o arquiteto Oscar Niemeyer. Com 115 metros de altura, considerada uma das mais belas e emblemáticas arquiteturas paulistanas, o Edifício Copan foi projetado na década de 50. O local abriga mais de dois mil moradores, que desfrutam de lojas, restaurantes, bares e cafés. Surgiu numa época de grande especulação imobiliária, sendo que, na década de 60 e 70, passou por uma degradação.

 

Na medida em que os convidados caminhavam com olhares voltados para a arquitetura dos antigos prédios, o passeio tranquilamente os conduzia pelas conhecidas e também famosas Galerias. E o grupo da Viveka passou por algumas delas, consideradas fonte de inspiração modernista, a exemplo da: Galeria Metrópole, Galeria Ipê, Galeria Sete de Abril, Galeria das Artes, Galeria Nova Barão e a Galeria Califórnia, que exibe um painel de Candido Portinari. Depois o grupo seguiu pela Galeria Itá, Galeria Rua Monteiro e a Galeria do Rock, ponto de parada obrigatória para olhar as lojas com roupas, calçados e artigos para roqueiros, góticos, emos e outras tribos urbanas.

 

O passeio terminou na Praça das Artes, que atualmente passa por reformas. O local é conhecido por suas apresentações musicais e outros eventos culturais. E foi caminhando, observando e conversando, que os participantes tiveram a oportunidade de tornarem-se visitantes de sua própria metrópole. Conheceram, principalmente, um pouco mais da beleza arquitetônica e de sua grandiosidade, além de enxergarem a cidade com um novo olhar.

 

Este é o caso de Tânia Fator ao lembrar que, na infância, seu pai costumava levar a família para visitar o centro antigo da cidade, durante os finais de semana. Já na adolescência, ela trabalhou no antigo Mappin e outros comércios. “Hoje estou refazendo minha história com um novo olhar para tudo isso, transformador. Precisamos olhar para a nossa cidade e sentir que pertencemos a ela. Na medida em que o indivíduo vai construindo a sociedade, a sociedade ao ser construída vai transformando o indivíduo”, diz.

 

Para a bibliotecária Maria Eduarda dos Santos, o passeio fez com que ela descobrisse o porquê gosta tanto da cidade. “Nunca tive o hábito de olhar para a arquitetura, sempre olhei o céu e as árvores. Hoje eu percebi que é um todo, principalmente, a arquitetura que é convidativa. Realmente é algo novo para fazer com que as pessoas tomem conta do que lhes pertence. Quando a gente percebe que isso também é nosso, você se preocupa em zelar ainda mais. Parabéns para a equipe do Espaço Viveka, que organizou o passeio. Hoje eu ganhei um presente”.

 

Na opinião da funcionária pública, Edna Alexandre, o passeio também foi transformador, pois permitiu que ela observasse toda a questão da arte na arquitetura. “Estou satisfeita, feliz e orgulhosa de morar em São Paulo. Interessante saber que teve muita gente importante que trabalhou aqui, para fazer coisas bonitas para a cidade e para todos nós que moramos aqui”, conclui Edina ao dizer que vai ficar atenta às próximas atividades promovidas pela equipe do Espaço Viveka.

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Foto acima: Zilpa Magalhães; foto abaixo: Fabiana Borges de Freitas

Fabiana Borges de Freitas

 

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