Afetividade entre pais e bebês no Espaço Viveka

4 de agosto de 2015 023a

A maioria dos pais sabe a importância que o toque e outras manifestações de afeto podem proporcionar na vida de um bebê e, muitas vezes, até mesmo por falta de tempo e desconhecimento, não sabem como demonstrar. Essa foi uma das propostas do minicurso de massagem em bebês baseado no livro “Shantala” do Dr. Fréderich Leboyer realizado no Espaço Viveka, no sábado (22 de agosto) – a de orientar os pais quanto à importância da massagem para os pequenos, que pode ser feita desde seu nascimento.

 

A realização da atividade surgiu da parceria entre a equipe do Espaço Viveka e a massoterapeuta Letícia Larcher Longo, que tem formação em Massagem Integradora e em Shiatsu pela A.N.B.A.T.H (Associação Nipo Brasileira de Acupuntura e Terapias Holísticas).

 

Letícia iniciou a atividade orientando os pais a tocarem seus filhos com suavidade, apresentando a eles exemplos do toque de borboleta. Essa técnica foi introduzida no Brasil no ano de 1980, por Eva Reich, pediatra, psicoterapeuta e filha do pai da bioenergética, Wilhelm Reich. Esse contato lembra a cena de tocar suavemente uma borboleta entre os dedos.

 

Na sequência ela demonstrou o passo a passo de varias técnicas. Por exemplo: baseando-se no livro “Shantala”, utilizou-se de um boneco para orientar alguns toques e movimentos aos pais, que os reproduziam em seus bebês. Ela também falou da importância das técnicas de massagem, contando como elas, “além de fortalecerem todo o sistema imunológico do bebê, desenvolvem um diálogo profundo entre o próprio bebê e os pais, possibilitando a criação de um vínculo de confiança e profundo amor entre ambas as partes”.

 

Letícia também orientou os pais a fazerem a massagem com regularidade, mas o dia que não estão a fim, o ideal é não fazer. E vale ressaltar que o tempo de duração da massagem deve ser respeitado em base ao tempo do bebê. “O importante é obedecer a vontade da criança”, explica ela ao lembrar que a intenção da massagem é também uma forma de colocar a energia do corpo para funcionar.

 

Os pais Virginia e Rafael Oliveira Pedroso de Almeida ficaram bastante atentos e interessados em aprender as técnicas apresentadas por Letícia. Na oportunidade, eles buscaram conhecer mais sobre os cuidados voltados exclusivamente para a pequena Manuela (a primeira filha do casal), que a princípio chorava um pouquinho, mas depois de alguns toques suaves, relaxou e logo adormeceu no colo da mãe.

 

Questionada sobre o interesse de conhecer o tema “massagem para bebês”, Virginia comenta que, desde sua gestação, lia artigos sobre os cuidados que os pequenos devem receber durante o pós-parto. “Já ouvi falar sobre o livro Shantala, por isso decidimos saber com mais detalhes sobre as técnicas aplicadas. Buscamos conhecer sobre essa relação que nos aproxima do nosso bebê, atendendo todas as necessidades dele e buscando, principalmente, técnicas de acalma-la”, conclui.

 

O minicurso teve duração de duas horas e o próximo encontro será realizado no início do mês de outubro.

 

Durante o mês de agosto também foram realizadas outras atividades no Espaço Viveka, a exemplo da continuação do curso do Panorama da História da Arte Ocidental, que permite aos seus participantes a realização de exercícios de leituras de imagens em seus contextos históricos /culturais. No quinto encontro do dia 10/08 foram realizadas leituras sobre o Neoclassicismo, Romantismo e Realismo – que contou com a orientação da nossa arte/educadora Zilpa Magalhães, que também mediou no dia 14/8 outro encontro: “O Despertar dos Sentidos”. Desta vez, a série para a leitura de uma obra de arte visual foi dedicada à pintura do “Caipira Picando Fumo”, de Almeida Júnior.

 

Informe-se sobre as próximas palestras e atividades realizadas aqui no Espaço Viveka por meio dos telefones (11) 2295-7961 / 2225-1285, ou pelos e-mails: contato@espacoviveka.com.br e viveka@viveka.com.br. O horário de atendimento é de segunda a sexta, das 14h às 21h.

 

O Espaço Viveka está localizado na Rua Professora Sebastiana Silva Minhoto, 375 – próximo ao Metrô Carrão – no Bairro do Tatuapé.

 

Aqui você encontra a articulação de várias áreas de conhecimento, como os cursos nos Ateliês de Desenho, Pintura e Escultura; a área de Educação, composta por equipe multidisciplinar; os espaços de Terapias, que visam à promoção de bem-estar; dentre tantas outras possibilidades.

 

Visite também nosso site: www.espacoviveka.com

4 de agosto de 2015 029

Minicurso de massagem para bebês no Espaço Viveka

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Gestantes, mães, pais, massoterapeutas, professores, babás e outros interessados estão convidados para participarem do Minicurso Massagem para bebês, que será realizado no Espaço Viveka, sábado (22/08), das 10h às 12h. O método de massagem para os pequenos será baseado no livro “Shantala” do Dr. Frédérich Leboyer.

 

A técnica será ensinada pela nossa profissional Letícia Larcher Longo, que iniciará a atividade com algumas informações sobre a massagem para bebês. Depois será feito um exercício de consciência corporal com os pais. Esse aprendizado, explica Letícia, facilitará a concentração do trabalho posterior, a massagem em si. “Demonstrarei as técnicas usando uma boneca e depois as mães e pais vão reproduzi-las nos seus bebês (ou em bonecos) enquanto eu os oriento”.

 

Ela esclarece que esse tipo de massagem é um diálogo sem palavras. Por meio dela, a mãe e o pai vão conhecer melhor seu bebê. Enquanto isso, o bebê também vai aprendendo sobre ele mesmo, seu corpo, suas sensações, o espaço em torno dele. “Esse contato estreita o vínculo entre os pais e a criança, o que é muito importante para o desenvolvimento emocional do ser humano. Se o vínculo é forte, a criança não terá medo de aprender coisas novas, errar, experimentar”, elucida Letícia ao lembrar que essa vivência é importante e levada para a vida adulta. “Nós adultos temos em nossa formação emocional a criança que fomos”.

 

Ao concluir, Letícia que possui formação em Massagem Integradora, formada em Shiatsu pela ANBATH, lembra que os pais sempre querem o melhor para seus filhos e alguns buscam alternativas para lidar com questões como agitação, dificuldade para dormir, dores de barriga, e assim fugir da tendência medicamentosa atual.

 

Letícia Larcher Longo cursa o quarto ano de Psicologia Biodinâmica, abordagem neorreichiana, que integra psicoterapia e massagem criada por Gerda Boyesen. Neste curso, além dela estudar as fases de desenvolvimento emocional do ser humano (principalmente sob a ótica de Donald Winnicott), tem se especializado sobre as técnicas da Shantala e do “Toque da borboleta” (criado por Eva Reich, filha do psicanalista Wilhelm Reich).

 

A inscrição para participar dessa atividade poderá ser feita das 14h às 21h – na secretaria do Espaço Viveka, ou pelo telefone: (11) 2295-7961/2225-1285, ou através dos e-mails: contato@espacoviveka.com.br – viveka@viveka.com.br.

 

Informe-se também na Viveka sobre as aulas de meditação realizadas todas as quintas-feiras, das 20h às 21h. A meditação é orientada pela equipe do Centro Kadampa Mahabodhi. Lembramos que são oferecidos certificados (por hora/atividade).

 

O Espaço Viveka está localizado na Rua Professora Sebastiana Silva Minhoto, 375 – próximo ao Metrô Carrão – no Bairro do Tatuapé.

 

Aqui você encontra a articulação de várias áreas de conhecimento, como os cursos nos Ateliês de Desenho, Pintura e Escultura; a área de Educação, composta por equipe multidisciplinar; os espaços de Terapias, que visam à promoção de bem-estar; dentre tantas outras possibilidades.

 

Visite também nosso site: www.espacoviveka.com

Acessibilidade em Inhotim

CIDADES HISTÓRICAS e INHOTIM-junho2015 125

Em 04 de junho fui, junto com uma excursão, visitar Inhotim, perto de Belo Horizonte (M.G.), para ver algumas das obras lá expostas, já que não havia tempo para apreciar todas elas em um só dia.

Chegando lá, eu vi uma vista linda de um parque florestal com vários tipos de plantas e flores. O parque é realmente muito lindo mas, a trilha principal do parque era construída por pedras da cor rosa com os veios saltados, que davam todas as condições de uma pessoa com mobilidade reduzida como idosos, pessoas com deficiência etc. tropeçar e sofrer uma queda, ou serviam de empecilhos para usuários de cadeira de rodas, embora houvessem carrinhos do tipo que se usam em jogos de golfe na entrada. Mas aqueles carrinhos de transportes não são adequados para transportar um usuário de cadeiras de rodas (vou usar o termo cadeirante), pois ele irá ter de ser carregado por, no mínimo, 02 homens fortes. Não há também pisos táteis para que um visitante cego possa se locomover facilmente pelo parque.

Para chegar às instalações com as obras, precisamos descer dos carrinhos e andar um pouco. Esses caminhos não são nada, nada acessíveis, por que? Esses são caminhos estreitos cheios de pedregulhos, ou lascas de pedras usadas nos caminhos principais, ou então de terra. Chegando lá nas instalações vi que havia rampas, corrimões ou elevadores. Ai eu me perguntei: se para chegar até o destino é tão difícil pois não há acesso, por que a acessibilidade toda só nas instalações? Não é uma discrepância? Será que os engenheiros e arquitetos não pensam?

E, se não me engano, Inhotim começou a ser projetada depois que a lei sobre acessibilidade foi baixada em 2.000. Nela é dito que em prédios de uso público e coletivo deve haver acessibilidade física, com recomendações específicas para as normas da ABNT 9050. Esta descreve, por exemplo, os detalhes e as medidas adequadas de todas as portas em locais de circulação do público, como devem ser colocadas; ou mesmo as barras nos banheiros, que devem ser adaptados para cadeirantes e pessoas com deficiência (PcD); ou ainda quais pisos são mais adequados para os diversos lugares etc.

No ano de 2.004 saiu o seguinte decreto federal:

“o DECRETO Nº 5.296 DE 2 DE DEZEMBRO DE 2004 Regulamenta as Leis nºs 10.048, de 8 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida”

Do qual retirei alguns itens, a saber:

 

 

No capitulo III deste decreto consta no artigo 8. Para os fins de acessibilidade, considera-se:

“I - acessibilidade: condição para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida

II - barreiras: qualquer entrave ou obstáculo que limite ou impeça o acesso, a liberdade de movimento, a circulação com segurança e a possibilidade de as pessoas se comunicarem ou terem acesso à informação.

VI - edificações de uso público: aquelas administradas por entidades da administração pública, direta e indireta, ou por empresas prestadoras de serviços públicos e destinadas ao público em geral;

VII - edificações de uso coletivo: aquelas destinadas às atividades de natureza comercial, hoteleira, cultural, esportiva, financeira, turística, recreativa, social, religiosa, educacional, industrial e de saúde, inclusive as edificações de prestação de serviços de atividades da mesma natureza;

IX - desenho universal: concepção de espaços, artefatos e produtos que visam atender simultaneamente todas as pessoas, com diferentes características antropométricas e sensoriais, de forma autônoma, segura e confortável, constituindo-se nos elementos ou soluções que compõem a acessibilidade.

No CAPÍTULO IV DA IMPLEMENTAÇÃO DA ACESSIBILIDADE ARQUITETÔNICA E URBANÍSTICA na Seção I Das Condições Gerais no Art. 10.  A concepção e a implantação dos projetos arquitetônicos e urbanísticos devem atender aos princípios do desenho universal, tendo como referências básicas as normas técnicas de acessibilidade da ABNT, a legislação específica e as regras contidas neste Decreto.” Estas normas referidas são as normas 9050.

Se as leis fossem cumpridas, como deveriam ser, penso que o parque de Inhotim sofreria uma multa enorme, pois este decreto também prevê multas para o lugar sem as acessibilidades físicas, para que os PcD possam usufruir do laser e da cultura que lá estão.

Estas normas foram estudadas e debatidas até à exaustão durante anos, junto com arquitetos, engenheiros, outros profissionais da área da deficiência e pelos próprios cadeirantes e pessoas com deficiências visuais, de como deveriam ser todas as instalações acessíveis.

Depois da visitação, fui ao toalete e entrei em um banheiro adaptado. A adaptação estava quase toda errada. Só a largura da porta estava certa. Havia somente uma barra para os PcD se segurarem, mas estava longe do vaso sanitário, não havia as barras recomendadas pela ABNT e o trinco da porta estava grudado nela. Como um cadeirante ou um cego iria conseguir fechar ou abrir a porta? Eu mesma quase fiquei trancada lá dentro. Em tempo: sou paralisada cerebral moderada com dupla hemiplegia.

Após constatar que não há acessibilidade adequada, para não dizer nenhuma, vi que, em pleno século XXI os PcD ainda não são considerados como seres humanos, com os mesmos direitos e deveres como todos. Ainda somos esquecidos e invisíveis perante a sociedade em geral.

Vi também que o trabalho de conscientização de que os PcD são diferentes em suas limitações, mas iguais como seres humanos ainda está se arrastando e temos muito a fazer ainda, porque em termos de leis estamos cobertos da cabeça aos pés, faltando somente que estas se cumpram realmente. Aliás, se as pessoas respeitassem uns aos outros, com a visão de que todos somos iguais, não mais precisaríamos de leis para nos proteger e não haveria mais as hipocrisias e as violências que a sociedade vem impingindo aos “incluídos pela exclusão”.

Voltando ao caminho principal, havia vários carrinhos circulando por entre os pedestres e havia pessoas que tiveram medo de serem atropeladas, porque não havia outro meio de circulação pelo parque. Se os projetistas fizessem um tipo de calçada nas laterais desse caminho, seria menos perigoso de se ter um acidente mais grave lá dentro.

Só pude fazer as visitações nas instalações porque havia vários colegas de viagem solícitos, que me ajudaram a andar nos caminhozinhos para chegar nas instalações. Por isso sou muitíssimo grata a eles.

Suely H. Satow

 

Suely H. Satow: mestre e doutora (término em 1994) em psicologia social pela PUC-SP.  Autora dos livros “Paralisado cerebral: construção da identidade na exclusão” e “Memórias de uma incluída pela exclusão”. Também é paralisada cerebral.