A arte e o clichê

Na Ziarte-Viveka entendemos que a alfabetização visual é um caminho importantíssimo para que os alunos aprendam, entre outras coisas, alguns fundamentos das artes visuais como ritmo e proporção, harmonia e equilíbrio, direção, composição etc. Por essa via, os processos de criação e de apropriação de imagens costumam trazer resultados muito positivos e até mesmo transformadores para eles. Para nós, arte/educadores, algumas reflexões originadas nesses percursos tornaram-se igualmente muito importantes, levando-nos a abrir espaços para aprender junto com eles. Contarei a seguir uma passagem.

Semana passada G., uma pré-vestibulanda de 17 anos de idade, desenvolveu uma leitura comparativa entre duas imagens, a fim de estudarmos as relações entre figura e fundo. Após alguns instantes de observação ela apontou para uma delas dizendo: “esta parece mais instigante, porque se divide em múltiplas formas negativas (o fundo), que também se sobressai e me parece muito rica, acho que por isso mesmo!” Então ela passou a observar a outra imagem, dizendo: “essa imagem parece tão sem graça perto da primeira, o fundo é muito grande, acho que qualquer um faz isso – é um clichê!

Naquele exato momento a palavra “clichê” flutuou no ar, animou o ambiente. Aproveitei a viagem imaginando que, por ser tão jovem, possivelmente ela desconhecesse os antigos processos de produção gráfica. Contei-lhe então que, na minha juventude, o sistema tipográfico de impressão ainda era bastante ativo, bem distante dos atuais meios digitais. Consistia na montagem de uma matriz metálica em alto relevo, chamada “clichê”, que era banhada por rolos de tinta, para que a imagem passasse a ser reproduzida em série através da prensa tipográfica. Daí surgiu o sentido figurado, associado àquilo que “peca” pela repetição, pelo lugar-comum, o que é banal ou, enfim, um chavão!

A esse reconhecimento associamos então várias imagens-chavão, pinçadas em nosso cotidiano como: os meninos devem usar o azul e brincar com bolas e carrinhos, enquanto as meninas devem usar cor-de-rosa e brincar com bonecas; propagandas de cerveja costumam vir acompanhadas de mulheres loiras; políticos devem segurar criancinhas no colo em épocas de eleição etc.

Daí em diante parece ter sido muito mais fácil retomar aquelas imagens, pois G. permitiu-se investigar as formas com maior liberdade, avistar com mais atenção algumas sutilezas como as sensações de movimento e instabilidade que aquelas imagens suscitavam, compreender as relações expressivas e, mais que tudo, possivelmente compreender-se nesse processo.

Para mim, a atmosfera construída nesse encontro aqueceu pensamentos, fazendo ecoar outros chavões como: os artistas já nascem com o dom do desenho; as práticas de releitura de obras de arte tomadas apenas como cópias; o sucesso de vendas dos trabalhos de determinados artistas fazendo moda, hierarquizando escolhas, e por aí foi… Dentro da noite estrelada, vi uma borboleta amarela perfazendo curvas, lembrei do Van Gogh!

 

Zilpa Magalhães é Mestra em Educação pela Universidade Nove de Julho, Arte/Educadora formada pelo Centro Universitário de Belas Artes de São Paulo, com licenciatura e habilitação em Artes Visuais. Dirige a Escola de Arte: “ZiArte-Viveka”, desde 1989, desenvolvendo: ateliê livre de desenho e pintura; aulas práticas e teóricas em história da arte brasileira e internacional; “Vivekinha” – arte para crianças; cursos preparatórios pré-vestibulares; Trilha Cultural; assessoria para artistas e profissionais de educação.

 

Dia da Amizade

Hoje, dia 20 de julho, é comemorado o dia da amizade, uma destas novas datas comemorativas que vêm sendo amplamente divulgadas graças à ascensão das redes sociais.

Porém, mais do que trocar mensagens nas redes, fiquei pensando sobre a relação afetiva em si que define a amizade e no tanto que é difícil mantê-la afinal, mais do que o título “amigo”, a verdadeira amizade necessita de uma boa dose de dedicação para manter-se viva. E agora me digam, quem nos dias de hoje consegue se dedicar à amizade?

Vamos à rotina: a maior parte das pessoas dedica-se em tempo integral à sua ocupação, seu trabalho, passando pelo menos 8 horas por dia totalmente comprometido com suas responsabilidades, prazos, cobranças e necessidades pessoais. Nosso maior contato no dia-a-dia passa a ser com colegas de trabalho e, geralmente, nesse caso, este contato é baseado no network, ou seja, em sua rede de relacionamentos profissionais onde em algumas situações até podemos considerar que alguns destes contatos são realmente nossos amigos.

Mas, e a amizade de verdade, aquela que envolve a lealdade, o amor, o estar junto? Nossa agenda geralmente não tem espaço pra isso. E nunca terá, a não ser que façamos disso um compromisso tão importante quanto todos os outros essenciais que já estão em nossa agenda. Aproveite a hora do almoço, finalize suas atividades meia hora antes; cada esforço de seu dia que tenha foco em melhorar sua vida pessoal retorna em satisfação e consequente maior produtividade.

Assim, levanto aqui um brinde para aqueles que, apesar da vida corrida, apesar de tantos afazeres, consegue ainda manter boas amizades. E sugiro, vamos colocar este “compromisso” no nosso dia. Coloque na sua agenda: Ligar para aquele amigo que não retornei a ligação. Visitar aquele amigo que mudou de casa. Retribuir a gentileza daquele vizinho e quem sabe, fazer dele um novo amigo. Aliás, você conhece seus vizinhos?

Acredite, com verdadeiros amigos por perto a vida se torna mais leve, mais feliz, nos reconhecemos melhor em nossa profissão e até nossos resultados no trabalham melhoram. Então aproveita… Feliz dia do amigo!

 

Renata Magalhães Caparroz Ribeiro

É administradora de empresas com ampla atuação na área de Recursos HumanosOrientação de Carreira e Profissional. Atualmente orienta candidatos ao ensino superior e profissionais em avaliação da carreira com foco no conhecimento do universo das profissões e contribuindo para o autoconhecimento vocacional.

 

 

Viveka: ferramenta libertária para uma nova visão de desenvolvimento humano

Em vão seriam quaisquer pensamentos sobre desenvolvimento humano sem  viveka  como fator fundamental para se conquistar tal fato.

Desculpem-me! Antes de tudo, a palavra “viveka”: oriunda da linguagem sânscrita, que é uma língua da Índia com uso litúrgico, logo, utilizada por um grupo seleto que possuía um considerável grau de conhecimento,  significa discernimento. Nesses momentos de manifestações, tal palavra possui um significativo valor, tanto de ordem intelectual como também econômico.

No Brasil, a educação, meio pelo qual se adquire  “viveka”,  é também um canal para fomentar o desenvolvimento humano por intermédio da questão econômica, tão em moda.

Tal desenvolvimento exige  “viveka”; acerca das inovações do mundo econômico, por exemplo,  e nesse cenário a Economia Criativa surge de forma inovadora pois, consiste em atividades oriundas de indivíduos que exercitam a sua imaginação a fim de explorar o valor econômico. Essa modalidade pode ser definida como um processo que envolve a criação, a produção e a distribuição de produtos e serviços manufaturados, por meio do conhecimento, da criatividade e do capital intelectual como principais recursos produtivos.

 Desta forma “viveka” permite ao indivíduo o poder de despir-se de uma ignorância dominadora, para projetar-se ao mundo, mais especificamente ao ambiente que lhe cerca, a fim de metamorfoseá-lo por meio de uma mente renovada.

O mesmo pode ocorrer com a Economia Criativa, a qual proporciona “viveka”, que capacita o indivíduo para que este agregue uma nova visão empreendedora e melhore sua auto-estima. Possibilita também que tal indivíduo se torne ícone fundamental em seu grupo social para promulgar uma nova visão econômica. Nisso vemos  “viveka” como ação libertadora.

Portanto, pode-se abordar a educação que proporciona  “viveka” como ferramenta capaz de promover a liberdade do indivíduo, com uma visão diferenciada sobre os malefícios provocados por um sistema econômico que demonstrou dificuldade em socializar sua riqueza econômica, social e educacional.  O mesmo pode-se dizer sobre a educação que por meio da arte pode ser aplicada como forma de promover a liberdade, como citado por um dos principais idealizadores deste conceito: Paulo Freire.

Surge então uma nova forma de metodologia econômica, a Economia Criativa, com vistas a explanar como esta promove o indivíduo, antes subalterno e posteriormente, um tomador de decisões, graças ao papel do educador como agente primordial neste processo.

Wiliam Retamiro

é Economista, Mestre em Planejamento e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Taubaté. Atualmente é professor da FGV-Conexão no curso de Pós-Gradução; na Universidade de Taubaté  e na ETEP Faculdades, nos cursos de graduação. Atuou como co-coordenador do Programa de Desenvolvimento Econômico Incubadora de Empresas pela FIESP e coordenador de projetos de geração de trabalho e renda junto a Secretaria de Desenvolvimento de Santo André.

wiliamretamiro@wordpress.com

 

Férias escolares: um momento para refletir sobre o diálogo entre pais e filhos

O período das férias escolares é muito importante para as crianças. Além de significar  mais uma etapa cumprida, desperta sentimentos de alívio e liberdade para poder brincar, passear e ficar mais tempo com os pais.

Muitos pais  sentem culpa por não conseguirem atender todas as necessidades dos filhos,  já que  estão trabalhando e não necessariamente de férias.

Será que de fato essa preocupação tem fundamento? Que tal considerar as férias escolares como um momento de pausa, reflexão sobre as questões que envolvem  as relações familiares?

Atualmente a maioria das mães exerce várias funções, muitas vezes, em  jornadas que requerem conciliação de vários papéis: trabalho, casa, filhos, escola, entre outros. Muitas vezes essas múltiplas funções desencadeiam  sentimentos de impotência e culpa, desviando a concentração criativa para obter  soluções aos vários problemas que surgem na rotina diária.

Os pais também exercem um papel fundamental nesse processo. Comprometidos  igualmente com os provimentos da casa, têm se desdobrado  em arranjos para suprir faltas  materiais,  temporais, de deslocamentos etc.    Juntos mães e pais,  são convocados a  participarem ativamente da vida escolar dos filhos, bem como das dificuldades físicas, psíquicas, sociais da família, parentes e comunidade.

Refletir sobre todo o processo que envolve essa gama de funções pode ser boa alternativa.

Compartilhar os sentimentos vivenciados,  o papel de cada um na rotina familiar, ajuda a diminuir a responsabilidade e a angústia de todos.

A culpa e os conflitos que surgem no dia-a-dia,  são superáveis através de diálogos contínuos: conversar sobre o que cada um tem sentido e vivenciado transforma  relações.

Pensar o coletivo  revitaliza a rotina; conquista-se  o cuidado e a qualidade das relações que constroem os vínculos familiares, dispondo prazer e criatividade  para a maioria das vivencias domésticas : um novo modo para estar com os filhos.

Gosto muito do jeito que  Leonardo Boff  sugere o cuidado:

  “Aja de tal maneira que sua ação não seja destrutiva. Aja de tal maneira que sua ação seja benevolente. Ajude a vida a se conservar, a se expandir, a irradiar”.  [...] tudo que existe e vive, precisa ser cuidado para continuar a existir e viver: uma planta, um animal, uma criança, um idoso, o planeta Terra. [...] a essência do ser humano reside no cuidado. O cuidado é mais fundamental do que a razão e a vontade.¹

Por  fim solidariedade é o elo  que amarra as relações entre os membros de uma família e da comunidade  em torno,  conferindo valores capazes de estabelecer o cuidado.

Mais importante  que nos preocuparmos em estar com os filhos durante as férias, é voltarmos os olhos para como estamos cuidando uns dos outros. Dispor formas de refletir sobre essas questões pode ser o começo para transformar o jeito de pensar e conceber o cuidado na família.

 1. BOFF. L., Saber Cuidar: ética do humano – compaixão pela terra, São Paulo, Editora Vozes, 1999.

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Entre em contato através do site www.espacoviveka.com.br  e conheça melhor os trabalhos que desenvolvo com crianças, adolescentes e orientação familiar

 Daniela Caramori Morgan,  é PsicólogaPós-graduanda em Teorias e Técnicas para Cuidados Integrativos (terapias complementares) pela UNIFESP. Coordenadora da equipe de Psicologia no Ambulatório de Cuidados Integrativos no setor de Investigação em Doenças Neuromusculares do Hospital São Paulo (Departamento de Neurologia e Neurocirurgia-Unifesp). Vice- presidente da Associação Verde Vida SaúdePalestrante nas áreas de Educação, Humanização e Qualidade de Vida.

Apresentação Espaço Viveka

Gostaria de apresentar a vocês o Espaço Viveka.
Apoiados no termo Viveka, que em sânscrito significa Discernimento, desenvolvemos atividades a partir de nossas possibilidades Criativas, pretendendo ampliar visões de mundo, transitar entre o pessoal e o cultural, buscar significações mais profundas para a vida, atingindo Auto-Conhecimento.
Entendemos que nossas vidas estão sempre convocadas, através de nossos problemas, a procura de soluções criativas e que saúde e qualidade de vida se baseiam no desenvolvimento desses aspectos.
Por essas razões promovemos cursos, palestras, exposições, encontros profissionais e temáticos, nas áreas Arte, Educação e Terapias, com os quais pretendemos provocar experiências criativas e investigar novas alternativas no enfrentamento de nossos problemas e realidade de vida.
Convido então a todos a visitarem nossas publicações e se for de interesse, participarem das atividades que promovemos, acreditando que coletivamente podemos elevar as perspectivas criativas e com elas favorecer as soluções dos inúmeros problemas que enfrentamos em nosso cotidiano.
Abraços a todos
Aceli de Assis Magalhães